| Receita tem defasagem de 2,3 mil servidores no País |
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Fisco apreende R$ 500 milhões do contrabando, mas ainda é pequeno para dar conta de 15,7 mil km de fronteira.
Serraglio, Melo e Dieter ouvem a diretora de assuntos parlamentares, Sílvia Helena /DIVULGAÇÃO
CURITIBA,
PR – A Secretaria da Receita Federal arrecada atualmente R$ 285 bilhões e sua
tributação sobre o comércio exterior alcança R$ 10 bilhões (3,5% do total.) Os
números foram mostrados nesta sexta-feira à Frente Parlamentar pela Modernização
da Aduana, reunida no Hotel Slaviero, em Curitiba, a convite do Sindicato
Nacional dos Analistas Tributários da Receita Federal (Sindireceita) Brasileira.
Mesmo com esse resultado, o órgão enfrenta uma defasagem de 2,3 mil agentes
aduaneiros na fronteira seca brasileira.
“Precisamos
fazer a realocação de pessoal”, queixou-se o delegado sindical de Paranaguá,
Nilson Mendes Júnior, durante palestra no seminário promovido pelo Sindireceita
para expor o funcionamento da aduana brasileira do ponto de vista da RF. A
recém-instalada Frente começou a tomar ciência da realidade do fisco no País em
sua primeira reunião, na semana passada, na Câmara dos Deputados.
Estão
presentes o presidente da Frente Parlamentar, deputado Fernando Melo (PT-AC); o
secretário, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR); a diretora de Assuntos Parlamentares
do Sindireceita, Sílvia Helena de Alencar Felismino; o diretor de Planejamento
e Gestão da Federação do Comércio do Paraná, Dieter Lengning; a chefe de
gabinete do deputado Rocha Loures (PMDB-PR), Ana Seleme; e o assessor de
comunicação social do Sindireceita, Rafael Godói.
“A
receita de tributos vinda do comércio exterior representa muito, mas a preocupação
maior é com o contrabando, o descaminho de mercadorias e o tráfico de drogas, por
isso, a presença do estado nessa fronteira seca é muito importante”, comentou
Fernando Melo. Para o deputado, do ponto de vista econômico mais gente
trabalhando significa desembaraço de cargos e a saúde financeira das empresas
exportadoras.
“A
questão aduaneira é de relevância nacional”, proclamou Sílvia Felismino. Ainda
este ano, a Frente deverá fazer um diagnóstico completo da situação, visitará
várias aduanas e também pretende ir à aduana chilena, que é exemplo de
funcionamento. Os chilenos alcançaram êxito devido à mudança de procedimentos. Um deles é fazer a fiscalização diretamente nas
empresas.
Segundo
Nilson Mendes Júnior, a RF também contabiliza entre suas apreensões quase três
toneladas de cocaína; grande quantidade de maconha; e 80 mil comprimidos de diversos
medicamentos.
Primeira reunião da frente, na Câmara dos Deputados, na semana passada /M.CRUZ
De olho na
licitação de scanners
Isso, segundo ele explicou, será muito
problemático porque a RF perderá poder de fiscalização e, por outro lado, o
governo pode perder o controle dos produtos que entram no País. Portanto, uma
das primeiras providências dessa frente deve ser convidar quem está à frente da
Receita Federal para prestar esclarecimentos sobre essa licitação, que talvez
seja a maior licitação em andamento no Governo Federal, se não em valor, pelo
menos pela responsabilidade do futuro do País”, informou.
Governo
promete combater inadimplência
DAS AGÊNCIAS
BRASÍLIA – No período mais longo de queda dos
últimos 25 anos, a receita tributária federal registrou em agosto o décimo mês
seguido de redução na comparação com igual mês de 2008. A receita do Governo
Federal alcançou R$ 52,068 bilhões em agosto, o que representa queda real de
7,49% em relação ao mesmo período do ano passado. Para reverter essa situação,
a RF prepara um conjunto de medidas. O alvo principal da ofensiva é o combate à
inadimplência.
Desde novembro do ano passado, período em que
a atividade econômica deteriorou-se por conta da crise financeira, a
arrecadação federal vem apresentando queda. No acumulado do ano, a soma da
receita com impostos e contribuições ficou em R$ 432 bilhões. Esse número, em
termos reais, é 7,4% menor que o registrado entre janeiro e agosto de 2008.
Apesar das sucessivas reduções no montante arrecadado, a RF avalia que já há
sinais de recuperação por conta da melhora nos principais indicadores da
economia.
Mesmo assim, o fisco considera que até
dezembro ainda não será possível voltar ao azul. Ou seja, a arrecadação
continuará caindo. "Há uma nítida recuperação dos indicadores e isso
certamente se refletirá na recuperação da arrecadação. Mas não sei se há neste
ano possibilidade de voltar para o azul", disse Raimundo Eloi de Carvalho,
coordenador-geral substituto de Estudos, Previsão e Análise. Segundo ele, até agora a arrecadação vinha exibindo performance diferente das apresentadas pelos principais indicadores que influenciam a receita tributária, que são vendas e lucro das empresas e produção industrial. O descolamento ocorreu devido ao elevado volume de desonerações e compensações autorizadas pelo governo na política anticíclica de combate à crise. Neste ano, as desonerações já somam R$ 17,3 bilhões.
No dia-a-dia, fiscais da RF também apreendem drogas /DIVULGAÇÃO
O secretário da RF, Otacílio Cartaxo, disse
que prepara um conjunto de medidas para recuperar o recolhimento de tributos. As
medidas que devem ser implementadas para reforçar o caixa do governo incluirão
a intensificação do combate à inadimplência, a criação de duas delegacias - uma
no Rio de Janeiro e outra em São Paulo, especializadas na fiscalização das
grandes empresas, e o fortalecimento das delegacias especializadas em
instituições financeiras.
O coordenador-geral de Estudos Previsão e
Análise da RF, Raimundo Elói de Carvalho, informou que as reduções de impostos
autorizadas pelo governo federal neste ano, para combater os efeitos da crise
financeira internacional, deverão causar uma queda de R$ 25 bilhões na
arrecadação em todo ano de 2009. |
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