PÁGINAÍNDICE Produtor do Juruá aprende novas tecnologias com apoio de Fernando Melo
Produtor do Juruá aprende novas tecnologias com apoio de Fernando Melo
Extensionistas
e agricultores de Cruzeiro do Sul conhecem casa de
farinha modelo na Embrapa e aprendem mais sobre a manipueira.
DA ASSESSORIA DA
EMBRAPA-AC
RIO
BRANCO – Considerada a mais acreana das culturas, a mandioca representa um dos
principais arranjos produtivos do Estado, com larga produção, especialmente na
região do Juruá. O que fazer com os resíduos da produção ainda é um desafio
para produtores e instituições ligadas à cadeia produtiva.
Na busca por
alternativas para uma destinação adequada para esse material, agricultores e
extensionistas do município de Cruzeiro do Sul (AC) visitaram a Embrapa
Mandioca e Fruticultura Tropical (Cruz das Almas/BA), no mês de novembro.
A
visita foi coordenada pela Embrapa Acre, como atividade do projeto
“Transferência de tecnologias para desenvolvimento do agronegócio no estado do
Acre”, financiado com recursos de emenda parlamentar de autoria do deputado
federal Fernando Melo (PT/AC), que tem como principal objetivo o
desenvolvimento da cadeia produtiva da mandioca no Acre. Também integraram a
comitiva o técnico da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar
do Acre (Seaprof) Lauro Filho e o secretário de agricultura de Rodrigues Alves
(AC) Anísio Barreto.
Durante
a visita, o grupo participou de dia de campo sobre técnicas de aproveitamento
dos resíduos da mandioca, percorreu áreas de produção para conhecer as
variedades de mandioca desenvolvidas pela Embrapa e conheceu uma casa de
farinha modelo, com equipamentos modernos que oferecem menor risco ao produtor.
–
A idéia é incorporar esses conhecimentos à atividade produtiva de comunidades
do Juruá, como forma de tornar a produção de mandioca mais rentável – disse o
técnico Manoel Delson Campos, responsável pelas atividades da Embrapa em
Cruzeiro do Sul e coordenador da visita.
Manipueira do Juruá
No
Acre, a cadeia produtiva da mandioca envolve mais de 4.500 famílias de
produtores. Segundo dados do IBGE (2007), existem no estado, aproximadamente,
33 mil hectares plantados com mandioca, resultando em uma produção média anual
de 730 mil toneladas de raiz.
Um
dos principais Arranjos Produtivos Locais, a cultura ocupa importante papel
econômico e social, principalmente para o pequeno produtor. A região do Vale do
Juruá destaca-se por produzir uma farinha de mandioca de alta qualidade.
Um dos resíduos gerados durante o processo de produção é a manipueira, líquido
de coloração amarela, com alta concentração de matéria orgânica e ácido
cianídrico.
É uma substância tóxica que pode oferecer riscos para o meio
ambiente. Em algumas regiões do Brasil, o produto já é tratado e usado na
alimentação animal ou como adubo orgânico. Um dos resultados práticos da visita
será a instalação de um sistema de manipulação e aproveitamento de manipueira
em propriedades rurais de Cruzeiro do Sul.
Desorganização
prejudica fecularias
O
comportamento dos preços da mandioca para fecularias e a ociosidade desta
indústria em anos recentes são os temas de um artigo apresentado recentemente
no Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP, o qual é comentado na
seção Mandioca em Foco do site Mandioca
Brasileira (endereço no final do texto).
Segundo
os autores, o Brasil é um dos principais produtores mundiais de mandioca, mas a
cadeia produtiva caracteriza-se pela baixa coordenação entre os elos,
conduzindo à forte sazonalidade na produção e, conseqüentemente, nos preços no
setor. Este é um dos motivos que faz com que a indústria de fécula de mandioca
brasileira, embora bastante moderna, seja pouco competitiva.
Numa
situação ainda mais séria que a brasileira, temos o caso da Nigéria. O país diz
que vai aproveitar as oportunidades oriundas das tecnologias para agregação de
valor da mandioca, desenvolvidas pela IITA e parceiros, para impulsionar a
economia e ser considerada uma das 20 maiores economias globais até o ano 2020.
O movimento é parte da estratégia do país para diversificar a sua economia,
atualmente dominada pelo setor petrolífero.
A
Nigéria é o maior produtor de mandioca no mundo, mas a cultura sofre grandes
perdas pós-colheita ocasionadas pelo processamento inadequado. Leia a este
respeito em outra matéria da seção Mandioca em Foco.
Esta
edição também traz notícias sobre o desempenho do comércio exterior brasileiro;
crédito para agricultura e para vítimas das chuvas; além de notícias sobre
subsídios, meio ambiente, código florestal, entre outros.
Leia ainda sobre a posse da nova diretoria da Câmara
Setorial da Mandioca do Paraná na Coluna Abam.
Lembramos
que cotações e notícias continuarão sendo publicadas em nosso site, mas o
informativo via e-mail não será enviado nas duas próximas semanas.
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