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Produtor do Juruá aprende novas tecnologias com apoio de Fernando Melo PDF Imprimir e-mail


Extensionistas e agricultores de Cruzeiro do Sul conhecem casa de farinha modelo  na Embrapa e aprendem mais sobre a manipueira.

mandioca141209.jpgDA ASSESSORIA DA EMBRAPA-AC


RIO BRANCO – Considerada a mais acreana das culturas, a mandioca representa um dos principais arranjos produtivos do Estado, com larga produção, especialmente na região do Juruá. O que fazer com os resíduos da produção ainda é um desafio para produtores e instituições ligadas à cadeia produtiva.

Na busca por alternativas para uma destinação adequada para esse material, agricultores e extensionistas do município de Cruzeiro do Sul (AC) visitaram a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical (Cruz das Almas/BA), no mês de novembro.  


A visita foi coordenada pela Embrapa Acre, como atividade do projeto “Transferência de tecnologias para desenvolvimento do agronegócio no estado do Acre”, financiado com recursos de emenda parlamentar de autoria do deputado federal Fernando Melo (PT/AC), que tem como principal objetivo o desenvolvimento da cadeia produtiva da mandioca no Acre. Também integraram a comitiva o técnico da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar do Acre (Seaprof) Lauro Filho e o secretário de agricultura de Rodrigues Alves (AC) Anísio Barreto.  


Durante a visita, o grupo participou de dia de campo sobre técnicas de aproveitamento dos resíduos da mandioca, percorreu áreas de produção para conhecer as variedades de mandioca desenvolvidas pela Embrapa e conheceu uma casa de farinha modelo, com equipamentos modernos que oferecem menor risco ao produtor.  


– A idéia é incorporar esses conhecimentos à atividade produtiva de comunidades do Juruá, como forma de tornar a produção de mandioca mais rentável – disse o técnico Manoel Delson Campos, responsável pelas atividades da Embrapa em Cruzeiro do Sul e coordenador da visita. 


manipueira020808a.jpgManipueira do Juruá


No Acre, a cadeia produtiva da mandioca envolve mais de 4.500 famílias de produtores. Segundo dados do IBGE (2007), existem no estado, aproximadamente, 33 mil hectares plantados com mandioca, resultando em uma produção média anual de 730 mil toneladas de raiz.


Um dos principais Arranjos Produtivos Locais, a cultura ocupa importante papel econômico e social, principalmente para o pequeno produtor. A região do Vale do Juruá destaca-se por produzir uma farinha de mandioca de alta qualidade. Um dos resíduos gerados durante o processo de produção é a manipueira, líquido de coloração amarela, com alta concentração de matéria orgânica e ácido cianídrico.

É uma substância tóxica que pode oferecer riscos para o meio ambiente. Em algumas regiões do Brasil, o produto já é tratado e usado na alimentação animal ou como adubo orgânico. Um dos resultados práticos da visita será a instalação de um sistema de manipulação e aproveitamento de manipueira em propriedades rurais de Cruzeiro do Sul.

 

fecula260908.jpgDesorganização prejudica fecularias


O comportamento dos preços da mandioca para fecularias e a ociosidade desta indústria em anos recentes são os temas de um artigo apresentado recentemente no Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP, o qual é comentado na seção Mandioca em Foco do site Mandioca Brasileira (endereço no final do texto).


Segundo os autores, o Brasil é um dos principais produtores mundiais de mandioca, mas a cadeia produtiva caracteriza-se pela baixa coordenação entre os elos, conduzindo à forte sazonalidade na produção e, conseqüentemente, nos preços no setor. Este é um dos motivos que faz com que a indústria de fécula de mandioca brasileira, embora bastante moderna, seja pouco competitiva.


Numa situação ainda mais séria que a brasileira, temos o caso da Nigéria. O país diz que vai aproveitar as oportunidades oriundas das tecnologias para agregação de valor da mandioca, desenvolvidas pela IITA e parceiros, para impulsionar a economia e ser considerada uma das 20 maiores economias globais até o ano 2020. O movimento é parte da estratégia do país para diversificar a sua economia, atualmente dominada pelo setor petrolífero.


A Nigéria é o maior produtor de mandioca no mundo, mas a cultura sofre grandes perdas pós-colheita ocasionadas pelo processamento inadequado. Leia a este respeito em outra matéria da seção Mandioca em Foco.


Esta edição também traz notícias sobre o desempenho do comércio exterior brasileiro; crédito para agricultura e para vítimas das chuvas; além de notícias sobre subsídios, meio ambiente, código florestal, entre outros.


Leia ainda sobre a posse da nova diretoria da Câmara Setorial da Mandioca do Paraná na Coluna Abam.

Lembramos que cotações e notícias continuarão sendo publicadas em nosso site, mas o informativo via e-mail não será enviado nas duas próximas semanas.


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