| Acreanos curam catarata em hospitais da Bolívia |
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Acreanos e
rondonienses buscam em hospitais bolivianos cirurgias que só conseguem nos
mutirões de oftalmologia no Brasil.
Acreanos e rondonienses são operados por médicos cubanos em Cobija e Guayaramerín /XICO NERY
BRASÍLIA – Acreanos e rondonienses estão se submetendo a
cirurgias de catarata nos departamentos Pando e Beni, na fronteira brasileira
com a Bolívia. O apoio é cubano, por meio de uma sugestiva Operación Milagro.
– Sou testemunha de defesa da ajuda humanitária prestada
pela equipe do governo cubano lá na Cobija – conta ao repórter o coronel Perli Dias,
que mora em Rio Branco, capital acreana.
Médicos cubanos trabalham nessa movimentada capital do Pando
e da Província de Nicolas Suárez. Com 26,8 mil habitantes, ela situa-se a 223 quilômetros de Rio Branco, ao lado da cidade acreana de Brasiléia. Eles também
atuam num pequeno hospital de Guayaramerín, no Departamento do Beni, próximo ao rio Mamoré, que
separa aquela cidade de Guajará-Mirim (RO).
Tudo rápido e eficaz
Esse tipo de cirurgia indolor corrige o embaçamento visual
causado pelo envelhecimento do cristalino, dando fim à catarata. Evoluiu
bastante em três décadas. Os resultados dão mais segurança e conforto aos
pacientes
As cirurgias são rápidas e eficazes, relata o coronel Dias.
– Busquei socorro e fui atendido pelos irmãos cubanos no ano
passado. Eles me operam com êxito. Notei, no hospital de Cobija, o quanto é
importante essa cooperação com nossas populações, em atendimento médico e em
clínica geral e oftálmica, de forma responsável e honrosa a todos os que para
lá se dirigem – ele diz.
Segundo a brasileira Ana Maria, 38 anos, mais de dois mil
brasileiros já passaram pela clínica instalada no Hospital Geral de Guayaramerín,
muito freqüentado também por bolivianos de Riberalta, próxima dali. Há um ano e
meio ela facilita o acesso de pacientes vindos do interior do Estado de
Rondônia e da faixa de fronteira entre o Brasil e a Bolívia.
– Chegam também pessoas com situações de “carne crescida” –
informa a especialista em Clínica Geral e Medicina Interna (do corpo), mestra
em saúde pública, Yasmin Bermudes.
“Carne crescida”
“Carne crescida é uma pequena membrana avermelhada na
superfície do olho, que prolifera em direção à córnea. Nesse caso, segundo
explica Yasmin, as cirurgias são feitas imediatamente e os pacientes, se
brasileiros ou os nacionais bolivianos ainda são “reagendados”, no caso de
confirmação de novos procedimentos.
– Além de deixarem o hospital, na volta para o Brasil, com
os remédios prescritos, na bagagem totalmente de graça.
Yasmin é coordenadora das equipes de médicos cubanos. Fala
pouco. O tempo todo ela está envolvida com esse trabalho solidário.
– Fazemos os procedimentos que todo o sistema de saúde
deveria proporcionar aos cidadãos do mundo – ela diz.
– Eles atendem com boa vontade, muita paciência e com a
dignidade que toda pessoa merece. A maioria dos doentes procura tratamento de
visão, cirurgias de catarata (doença causada pelo escurecimento do cristalino),
ortopedia e cardiologia – conta Ana Maria, conhecida por Ana da Linha 8. É a referência
ao Projeto de Assentamento Sidney Girão, no município de Nova Mamoré, a
322 quilômetros da Capital, Porto Velho, onde ela trabalha.
– É um serviço digno de um povo que nos apresenta com muita
honra e relevantes serviços prestados à humanidade.
E que não permite que ninguém volte sem ser primeiro
atendido! – elogia o coronel Dias.
Brasileiros recebem no país vizinho um atendimento de primeira /XICO NERY
SUDESTE BRASILEIRO CONCENTRA
Dos 14.385 oftalmologistas brasileiros, 59% residem nas
capitais, 41% no interior e 2% em cidades com apenas um profissional. A região
sudeste concentra 58% dos oftalmologistas do País e 42,3% da população
nacional.
O CBO informa, ainda, que reivindica ao Banco do Brasil uma
linha de crédito para a montagem de consultórios oftalmológicos e a divulgação
de municípios onde não há saturação do número de especialistas (MC).
Matéria anterior:
MÉDICOS DA VISÃO
ESTÃO DISTANTES DA AMAZÔNIA (2 – final)
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