| Deputado apela para que Zaire não renuncie |
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No final do ano passado, a Bancada Federal Acreana constatou que pouco mais
da metade dos municípios acreanos estava inadimplente.
DA ASSESSORIA
– Rogo-lhe paciência e equilíbrio neste momento, confie em
Deus e na justiça dos homens. Permaneça firme com os princípios da Frente
Popular do Acre. Pelo-lhe mais: prudência e muita calma – apelou Melo.
Vereador e presidente da Câmara de Sena Madureira, a 140
quilômetros de Rio Branco, Zaire assumiu o cargo há quatro meses, por determinação
da Justiça Eleitoral. Substituiu ao prefeito Nilson Areal (PR), que fora
cassado sob acusação de fraudar as eleições com a compra de votos.
– Fui com Nilson e estou com Zaire. Coloquei várias emendas
individuais em benefício de Sena, visando colaborar com os projetos que venham
ajudar a população mais carente – afirmou.
Na semana passada, Zaire manifestou sua intenção de renunciar,
por conta de uma série de irregularidades encontradas nas finanças do
município. Uma delas é o convênio no valor de R$ 2 milhões entre a prefeitura e
o Ministério de Defesa, para a pavimentação de ruas. A prefeitura não cumpriu a
contrapartida e deixou de executar a obra.
– Fui cobrado pelo Ministério da Defesa. Querem a devolução
dos recursos, sob pena de tornar inadimplente o município – queixou-se Zaire.
A fornecedora de medicamentos Ecoacre venceu a licitação
para abastecer a rede básica municipal de saúde. Em seguida, o contrato foi
assinado, no entanto, os remédios não chegaram aos postos de saúde.
– Nenhuma “Cibalena” (remédio para dor de cabeça) entrou nos
postos de saúde – lamentou Zaire.
Insegurança
administrativa
O deputado se colocou à disposição para ajudar Zaire em
Brasília, a fim de que o município não fique inadimplente. De acordo com Melo, existem
contratos firmados e há solução para sanear o problema.
– Notifique as empresas, pedindo as informações dos
processos. De posse dessas informações, vá a Brasília pedir mais prazos para
esclarecer todos os fatos – recomendou o deputado.
Melo acredita que desta maneira será possível a execução das
obras e a entrega dos medicamentos contratados.
– Lamento muito essa insegurança administrativa e política vivida
por Sena Madureira. Isso tudo, em função do afastamento de Nilson Areal e da
indefinição do recurso por ele impetrado e ainda em tramitação no Tribunal
Superior Eleitoral.
BRASÍLIA – Quando se anunciou que a metade dos municípios
acreanos estava com suas prefeituras inadimplentes, a reunião da bancada
federal entrou em efervescência em novembro do ano passado. Por conta de
projetos mal encaminhados e de prestações de conta irregulares, a chave do
cofre da União fechou para 12 dos 22 municípios. Eles ficaram impossibilitados
de receber recursos, já que estão na “lista vermelha” do Cadastro Único de
Convênios (Cauc) da Secretaria do Tesouro Nacional.
Explica-se a inquietude dos parlamentares acreanos: todos
eles são autores de emendas individuais para a execução de obras anualmente
programadas pelos prefeitos. Se a prestação de contas – no que se inclui também
a dívida com o INSS – não bate, o dinheiro correspondente às parcelas dos
investimentos nem sai de Brasília.
Para o vice-presidente da Associação dos Municípios do
Estado do Acre (Amac), Wagner Sales (PMDB), prefeito de Cruzeiro do Sul, o
"desperdício de recursos" decorrente da retenção do dinheiro por
conta da contrapartida das prefeituras agradaria os ministérios.
Ao constatar que cerca de R$ 38 milhões deixaram de ser
empenhados até o final de 2009, ele alertou que outros R$ 76 milhões precisavam
ser urgentemente resgatados pelo Acre.
– Se isso não acontece, os ministérios ficam sorrindo,
satisfeitos – disse naquela reunião.
Sales revelou que essa situação obriga os municípios do Acre
a retirar 10% a 20% dos recursos que seriam destinados prioritariamente à saúde
e à educação.
• No Rio de Janeiro, 39 prefeituras
não estão em dia com cadastro de 13 itens que garante repasse de recursos do
Governo Federal. Cidades têm obrigação de cumprir exigências de investimentos
em áreas como Saúde e Educação. Correm o risco de ficar sem receber recursos de
convênios com o governo federal. Em 2009, ao todo, as prefeituras fluminenses
receberam quase R$ 200 milhões dessa forma.
• Em 2009, a Agência de Fomento do Estado do Amazonas retomou a concessão de créditos para a Calha do Juruá. Participaram: técnicos do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas. Foram distribuídos R$ 30 milhões, por meio do Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e ao Desenvolvimento do Estado do Amazonas.
• No entanto, exigiu-se a capacitação de sete municípios e suas comunidades. Parcerias e palestras
ensinam micros e pequenos empresários a aplicar os recursos. Serviu de lição
para as prefeituras.
•
No Piauí, o coordenador da Força Tarefa Popular, advogado
Arimatéia Dantas, disse que a inadimplência dos municípios no Tribunal de
Contas do Estado chega a uma situação de calamidade e prova de completo descaso
para com o contribuinte e o sistema de fiscalização das contas públicas. Até
meados de 2009, dos 223 municípios do estado, 151, equivalente a 67,7%, estavam
inadimplentes.
• Desde 1998, a Força Tarefa Popular
no Piauí vem denunciando o comportamento dos gestores municipais no que se
refere à falta de prestações de contas. Promotores de Justiça organizam Jornadas
de Petições de Cidadania Ativa, para efetivar o artigo 31, parágrafo 3º da
Constituição Federal, que obriga os prefeitos e presidentes de câmaras a prestar
contas e divulgá-las à sociedade para análise e fiscalização.
• Na Paraíba, em meio à crise
econômica, o Cadastro Único de Convênios do Tesouro Nacional constatou que, dos 223 municípios,
171 (76%) estão em situação de inadimplência com a União e impedidos de receber
recursos para infra-estrutura, turismo, habitação e agricultura. Outros 52
municípios do estado conseguiram superar as dificuldades causadas pela má
gestão de seus governos ou administrações anteriores e cumprir as exigências
legais.
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