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Um fogão simples e de fácil manutenção, inventado por técnicos da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac) poderá ser a solução para as famílias que vivem em regiões isoladas e sem acesso à energia elétrica distribuída por meio do Programa Luz Para Todos. O deputado Fernando Melo ficou entusiasmado com o projeto. Grupo mineiro quer fabricar 300 fogões por mês.
NONATO SOUZA
RIO BRANCO — Pode ser a solução para famílias que vivem isoladas, em regiões distantes e de difícil acesso: em parceria com a Eletronorte, a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac) desenvolve há três anos um projeto de pesquisa capaz de levar energia elétrica a essa gente prejudicada pelo tráfego nos ramais, que não permitem o deslocamento dos equipamentos necessários à instalação de energia elétrica por meio do Programa Luz Para Todos, do Governo Federal.
Uma das alternativas viáveis para melhorar a situação, nos aspectos técnico e financeiro, foi o invento de um fogão doméstico, usado também como microgerador de energia elétrica. Trata-se de uma tecnologia genuinamente acreana.
Nesta fase do projeto, a Funtac vem fazendo ajustes para adaptar o invento. Os técnicos estudam a durabilidade e a confiabilidade compatíveis às necessidades de quem não tem previsão regular de reposição de peças e manutenção.
O projeto se encontra em fase avançada e já se prevê uma produção em escala industrial a partir de 2008.Pelo menos foi esse o otimismo demonstrado pelo diretor-presidente da Funtac, Cézar Dato, durante o anúncio às autoridades acreanas e convidadas, dia seis no auditório da Secretaria de Planejamento.
Deputado Fernando Melo e
assessores conhecem o projeto
Segunda-feira, 10, o deputado federal Fernando Melo (PT-Acre) e seus assessores visitaram a sede da Funtac e conheceram as 30 primeiras unidades dos fogões geradores de energia elétrica. Foram recebidos pela diretora técnica do Programa Luz Para Todos, Nadma Kunrath e o engenheiro-químico Carlos Eduardo Garção, integrante da equipe responsável pelo projeto.
Segundo Carlos Eduardo, o fogão é um equipamento de manejo simples e de fácil manutenção. "Exatamente para facilitar ao máximo a vida da dona de casa", observou. "Os equipamentos são de fabricação nacional, alguns desenvolvidos na própria Funtac", disse.
Ao enumerar as vantagens do invento, o engenheiro apontou a eliminação completa de fuligens no ambiente familiar, a otimização do consumo de biomassas, e a redução da condição de isolament, entre outras. O invento vai utilizar os resíduos florestais como fonte de calor até o aquecimento necessário para o fazer funcionar equipamentos elétricos que irão gerar a energia necessária para carregar uma bateria capaz de gerar eletricidade suficiente para três lâmpadas e um aparelho de TV.
Produção já tem venda garantida
Uma empresa mineira, a DAMP Eletric, do grupo BMG, se interessou em produzir o invento acreano em escala industrial e vai investir numa fábrica para a produção inicial de 300 unidades/mês. Em outubro próximo começam as obras do projeto físico da fábrica, em um terreno cedido pelo Governo do Estado no Distrito Industrial.
Um dos mercados para o fogão é o programa do governo federal Luz Para Todos. Segundo o diretor-engenheiro da Eletronorte, Ademar Palocci, o programa já alcançou mais da metade da sua meta, de 12 milhões de brasileiros.
"Agora, principalmente para Região Norte, as comunidades estão ficando muito distantes e não é mais possível levar energia das redes regulares para esses locais", explicou.
“Esse fogão é uma opção para aquelas comunidades, aquelas famílias que estão no mais absoluto isolamento”, disse ele.
O Governo do Estado está em fase de negociação com a empresa mineira. Empresários locais, do setor eletromecânico, poderão fornecer os componentes, atuando desta maneira, em parceria com a DAMP Eletric. Estima-se um investimento de R$ 1,5 milhão e a criação de 50 empregos diretos. O fogão terá o nome comercial BMG Lux (unidade geradora de energia de biomassa).
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