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Tijolo de barro custa menos e substitui brita nor ramais PDF Imprimir e-mail

O Acre, um estado sem pedras, vem substituindo a pedra brita por barro na construção de ramais. A chamada pedra de barro, picotada mecanicamente, tem a forma de lingote. É mais resistente que o tijolo e custa menos. A direção da Fundação de Tecnologia do Acre mostrou-a para osdeputados Fernando Melo, Henrique Afonso e Sérgio Petecão. Eles se impressionaram com as soluções inovadoras.

funtac1.jpgNONATO SOUZA


RIO BRANCO — De oito anos para cá, a Funtac passou por profundas mudanças em sua estruturação de laboratório (terceira foto, abaixo), na capacitação de técnicos e na aquisição de equipamentos. Segundo explicou o diretor-presiente da empresa, engenheiro César Dotto, a Funtac conseguiu, por meio de análises, criar projetos de pavimentação das obras públicas a cargo do Deracre, e também contribuiu com obras do setor privado.

Não é novidade para a fundação enfrentar a falta de pedra brita, principal matéria-prima das estradas brasileiras. "Temos buscado sempre novas tecnologias para compensar essa deficiência", disse D
otto. Ele informou aos deputados que projetos
 semelhantes vêm sendo feitos ao logo dos anos em outros estados. "O que está em estudo entre as pesquisas já concluídas e aprovadas pela Funtac é a tecnologia que melhor se adeqüe à nossa realidade, unindo a viabilidade financeira, qualidade e durabilidade”, explicou. 

Pedra de barro

Na avaliação do presidente da Funtac, um dos projetos que concentra maior atenção é a fabricação em escala industrial da chamada pedra de barro. Ela surge com baixo custo operacional, oferta de matéria-prima em larga escala, viabilidade técnica e econômica comprovada e compatível com a realidade acreana.

O
gerente da área de tecnologia da Funtac, engenheiro William Abreu,nos últimos oito anos, lembrou que nesse período de oito anos a Funtac conseguiu material alternativo para garantir a durabilidade da pavimentação de ramais. Segundo ele, tecnicamente o solo no Estado possui uma mecânica muito baixa e para melhorar a qualidade da pavimentação são necessários os aditivos que permitem a impermeabilização e a esterilização do solo. "Com isso, o tráfego é bem melhor e duradouro", observou. 

funtac.jpgEntre as experiências desenvolvidas pela Funtac, se destaca o Ecolopav (com utilização de cimento em sua mistura). Ele garante o aumento de CDR do pavimento. O MSM-C2, desenvolvido para teste de pavimento, e o ISS, também são promissores. 

Para Abreu, no universo de pesquisas, o desafio é encontrar a tecnologia que melhor se adaptará ao solo dos ramais acreanos. "Somamos o custo- benefício e a durabilidade, levando-se em conta o rigor e duração do inverno (período chuvoso em nossa região", assinalou.

O processo consiste na mesma técnica utilizada nas cerâmicas. O diferencial é que o produto final aparece em forma de lingote, picotado mecanicamente nos moldes de pequenas pedras. Mais
resistente que o tijolo, devido à alta temperatura a que é exposto, substitui a brita com a vantagem de baratear os custos em mais da metade, conforme fez ver o engenheiro.

Menos dependência de Rondônia

Melo, Henrique e Petecão se mostraram
empolgados com a criação da pedra de barro, por ser de fácil produção e de baixo custo e com eficiência testada e aprovada.

Para Melo, está claro que a
solução para o problema da falta de pedras na pavimentação das estradas e ramais no Acre está resolvido. "Bastam apenas incentivos do Estado, para estimular a iniciativa privada, com créditos e garantia de mercado", ele assinalou.

funtac2.jpgFoi com
esse propósito que a bancada marcou audiência rapidamente com o governador Binho Marques, com o objetivo de convencê-lo a usar
parte dos R$ 34 milhões do Plano de Aceleração do Crescimento do Acre (PAC-AC) no projeto de produção em escala industrial da pedra de barro.

Esse dinheiro destina-se originalmente à construção de pontes, abertura e recuperação de ramais. "Isso pode tirar o Acre da dependência de
Rondônia na importação de pedra brita", comentou Melo. Binho prometeu estudar e acenou com a retomada  da conversa para decidir a respeito da proposta.

   

 

 
 
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